A Corte Animal lançará um single por mês

A banda Corte Animal, de São José dos Campos, vai lançar um single por mês. Sem álbum, apenas uma música por mês, até o final do ano. Nessa pegada, a banda já lançou “Corais Na Calçada (Vista Bárbara)”, canção que demonstra extremo crescimento musical, além de estratégico no esquema de lançamento.

” A escolha por esse tipo de estratégia, foi justamente para manter o nome da banda sempre em alta. Percebemos que com o fluxo intenso de informações que o mundo hoje carrega, um álbum não causa tanto impacto quanto uma grande novidade mensal. É com esse intuito que lançaremos um novo single por mês, deixando sempre um gostinho de quero mais em quem curte e nos acompanha”, explica o vocalista James Fabrício.

A Corte deve lançar até 7 músicas até o final do ano. O próximo lançamento, que sai no dia 17 de julho, será da música “De Brasília, Com Amor”.

“Corais na Calçada (Vista Bárbara)” foi apresentada pela primeira vez no Demofest, festival estudantil que aconteceu em São José no ano passado. Desde então, a música, que foi uma das primeiras compostas pela banda, ganhou uma nova sonoridade com sua gravação em estúdio, com a produção de Izzy Castro, do projeto Twin Pumpkin.

“Sendo uma das primeiras músicas, antigamente ela era apenas orgânica e simples. Com o passar do tempo e com novas influências na bagagem, novas nuances foram adicionadas à música a tornando maior. Mudanças na letra, na métrica e a adição de outros instrumentos e detalhes fizeram toda diferença”, completa James.


De acordo com o vocalista, “Corais na Calçada” descreve uma análise particular, solitária e sutil. “Vaga pela idealização de uma imagem, tanto inferior quanto exterior, no seu próprio ponto de vista. ‘A Vista Bárbara’ faz alusão ao encontro da sua própria beleza particular, que por vezes pode ser perdida nos nevoeiros externos da depressão e outros sintomas contemporâneos”, finaliza o músico.


RESENHA: Nunca Foi Para Dar Certo – Personas

Banda lançou novo disco na última sexta-feira. Créditos: Danilo Fernandes

Pode ser meio complicado falar que o som de uma banda amadureceu. A Personas, banda aqui de São José, lançou seu primeiro álbum completo na última sexta-feira, e tudo que eu posso falar (e mais um pouco), é que o grupo achou o seu som. Simples assim.

A banda, talvez pela primeira vez, sabe por onde quer ir e o que quer ser. É claro que “Nunca Foi Para Dar Certo” é um resultado direto de um processo de amadurecimento, mas depois de mais de um ano de composição, a Personas poderia ter reduzido seu trabalho em faixas soltas, sem conexão, costumeiro de um primeiro álbum de uma banda underground (com todos os “poréns” de uma cena complicada).

O resultado foi o contrário: a Personas se agarrou em tudo que ela tem de melhor, que pouco ficou impresso no EP “Vazio”, de 2017. Coração, crueza, e, ao mesmo tempo, a banda consegue sintetizar seu som em 11 faixas consistentes, que se interligam.

“Muitas das músicas do ‘Nunca Foi Pra Dar Certo’ nasceram já no estúdio, de jams e brincadeiras que fazemos durante o ensaio e isso é algo que possibilitou uma dinâmica muito melhor e também que pudéssemos experimentar mais coisas novas” disse o guitarrista João Cappece sobre a concepção do álbum.

Com o tempo certo para se levar a sério, a Personas conseguiu um disco redondo e consistente às suas influências. Além do hardcore melódico, do emo e do alternativo, a banda passeou por diferentes estilos, sem ter medo de se comprometer com o pop.

Quem produziu o álbum foi Diego Xavier, do BIKE e do DX3, uma escolha mais do que acertada na busca por um som mais cru, como soam os shows do Personas. O resultado foi um disco inquieto, sujo e, ainda assim, lírico.

“É sobre a aceitação de que nem só de amor e bons momentos se faz um relacionamento, e que as vezes certas coisas simplesmente vão dar errado, não importa o quanto insistimos”, explica João Capecce, guitarrista da banda.

Tratando sobre todas as incertezas, angústias, paranoias e medos que envolvem uma relação a dois, o disco é sobre vários fins. Sejam aqueles entre dois ou os individuais, que nos atormentam todos os dias. Falar sobre relacionamentos, afinal, é mergulhar um pouco mais a fundo em todos os aspectos de um indivíduo.

Não só por ter apenas uma versão da história, mas o fim de um relacionamento sempre será uma reflexão sobre si mesmo: o egoísmo que nos consume, da autossabotagem que nos corrói e da solidão inegável e incorrigível que sentimos.

OUÇA: Nunca Foi Pra Dar Certo, Inquieto, Mergulho e Limítrofe