RESENHA: Nunca Foi Para Dar Certo – Personas

Banda lançou novo disco na última sexta-feira. Créditos: Danilo Fernandes

Pode ser meio complicado falar que o som de uma banda amadureceu. A Personas, banda aqui de São José, lançou seu primeiro álbum completo na última sexta-feira, e tudo que eu posso falar (e mais um pouco), é que o grupo achou o seu som. Simples assim.

A banda, talvez pela primeira vez, sabe por onde quer ir e o que quer ser. É claro que “Nunca Foi Para Dar Certo” é um resultado direto de um processo de amadurecimento, mas depois de mais de um ano de composição, a Personas poderia ter reduzido seu trabalho em faixas soltas, sem conexão, costumeiro de um primeiro álbum de uma banda underground (com todos os “poréns” de uma cena complicada).

O resultado foi o contrário: a Personas se agarrou em tudo que ela tem de melhor, que pouco ficou impresso no EP “Vazio”, de 2017. Coração, crueza, e, ao mesmo tempo, a banda consegue sintetizar seu som em 11 faixas consistentes, que se interligam.

“Muitas das músicas do ‘Nunca Foi Pra Dar Certo’ nasceram já no estúdio, de jams e brincadeiras que fazemos durante o ensaio e isso é algo que possibilitou uma dinâmica muito melhor e também que pudéssemos experimentar mais coisas novas” disse o guitarrista João Cappece sobre a concepção do álbum.

Com o tempo certo para se levar a sério, a Personas conseguiu um disco redondo e consistente às suas influências. Além do hardcore melódico, do emo e do alternativo, a banda passeou por diferentes estilos, sem ter medo de se comprometer com o pop.

Quem produziu o álbum foi Diego Xavier, do BIKE e do DX3, uma escolha mais do que acertada na busca por um som mais cru, como soam os shows do Personas. O resultado foi um disco inquieto, sujo e, ainda assim, lírico.

“É sobre a aceitação de que nem só de amor e bons momentos se faz um relacionamento, e que as vezes certas coisas simplesmente vão dar errado, não importa o quanto insistimos”, explica João Capecce, guitarrista da banda.

Tratando sobre todas as incertezas, angústias, paranoias e medos que envolvem uma relação a dois, o disco é sobre vários fins. Sejam aqueles entre dois ou os individuais, que nos atormentam todos os dias. Falar sobre relacionamentos, afinal, é mergulhar um pouco mais a fundo em todos os aspectos de um indivíduo.

Não só por ter apenas uma versão da história, mas o fim de um relacionamento sempre será uma reflexão sobre si mesmo: o egoísmo que nos consume, da autossabotagem que nos corrói e da solidão inegável e incorrigível que sentimos.

OUÇA: Nunca Foi Pra Dar Certo, Inquieto, Mergulho e Limítrofe