As 11 melhores músicas do Vale em 2018

Parar pra fazer uma lista dos melhores álbuns de 2018 foi uma tarefa difícil. Me deparei com a constatação de que, em 2018, só escutei música regional. E quer saber? Ainda bem.

O cenário independente e alternativo (e faltando aqui, especificamente do nosso Vale), tem uma problemática com dois picos principais, doloridos e cansativos: o início e o meio.

Bandas e artistas vem e vão (muitos trupicam, mas não caem). Algumas bandas que eu gostaria de ter visto coisas novas em 2018 e que acabaram não entrando pra lista (já que se tratavam de lançamentos recentes, deste ano). No cenário musical do interior, a sobrevivência das bandas é testada no modo hard.

Mesmo que eu tenha sentido falta de uns, outros surgiram com força total. E me deixaram assim, eu mesma, empolgadona. No modo repeat.

Ficar em evidência, sempre com lançamentos e sem desistências, tropeços e afogos no meio do caminho, é quase inalcançável.

A cada passagem do ano, os que atravessam a faixa da largada em direção ao próximo passo, sempre serão exaltados. E é tudo mérito deles, afinal.

Essas são as minhas escolhas de 11 melhores músicas de artistas do Vale do Paraíba, lançadas em 2018.

Nada a Perder – Personas (São José dos Campos)

Ver um lançamento dos joseenses do Personas neste finalzinho de 2018, foi como avistar um novo amor chegando na festa. O coração bateu antes mesmo de clicar no play. E o tempo parou, mesmo: ‘Nada a Perder’ é o tipo de música que transporta pras têmporas uma refrescância muito bem vinda. Um remédio que te cura sem saber que você estava doente. Nos riffs simples e revigorados – que dão um ‘olá’ a um novo ciclo, o Personas consegue dar um gostinho da leveza que 2019 vai precisar.

Décima – Bemvirá (Taubaté)

É impossível não sorrir com qualquer coisa que o Bemvirá transforme em música. O rock melodramático, romanticamente e ironicamente psicótico, sempre me faz lembrar que essa banda só podia ter saído de Taubaté. Extremamente criativo (e cativante), o Bemvirá consegue transformar os pensamentos mais mundanos em hits (aposto contigo que só escutando axé pra tirar ‘Décima’ da sua cabeça).

Magia – Passarinho e o Sistema Brega de Som (São José dos Campos)

Velho conhecido do honroso Dom Pescoço, Passarinho nos presenteou com um EP solo (com ajuda de ilustres membros desta lista) neste ano. Em ‘Magia’, uma das mais dançantes (e cantantes, pra acompanhar junto) do ‘Sozinho no Alto’, o recifense consegue trazer um reggae, brega e cumbia: todos misturados e gostosos de ouvir. Difícil escolher só uma entre um EP redondo, mas ‘Magia’ tem exatamente o que Passarinho descreve: a feitiçaria de um ritmo envolvente e pegajoso, pra dançar juntinho.

Ingá – Bike (São José dos Campos)

Todos os adjetivos que comecem com a palavra ‘psico’ não fazem justiça a obra dos meninos, que galgaram sua evolução sem querer arredar o pé do Vale. Consolidada e relaxada, a banda chegou ao seu terceiro álbum com folga na vantagem, sem decepcionar. ‘Ingá’ é uma daquelas músicas que ficam marcadas na história. Uma viagem agradável e cheia de camadas. Menção honrosa pra ‘Cavalo’, que é minha preferida do Their Shamanic Majesties Third Request.

Escafandro – PI Haters (Taubaté)

A figura do escafandro é tão marcante quanto essa música; um título que não poderia ser melhor. Preso em sua própria cabeça, mergulhado em um oceano de sentimentos, o narrador nos transporta em três fases dessa melodia bem apresentada. Não é à toa que ‘Escafandro’ tenha sido escolhida para representar o Vale no Demofest (do lado de outros que também estão nessa lista).

Tropsicodelia – Dom Pescoço (São José dos Campos)

O Dom Pescoço me faz dançar desde 2014, por aí. Os caras conseguem sofisticar o som a cada ano que passa, com uma garra tremenda para fazer turnês pelo Brasil mesmo que de modo independente. Em ‘Tchau’, eles falam o que a gente pensa quando tem que pegar o ônibus das 18h no terminal central. O álbum, como um todo, funciona como um embalo só, aqueles pra ouvir sentado do lado do stereo, olhando o encarte do CD. Destaque também para a participação da Ligia Kamada em ‘Fico um Tanto’, outra faixa magnífica dessa obra.

Vícios – Saltines (São José dos Campos)

A excelência instrumental do Saltines sempre me impressiona. Tanto ao vivo, quanto no estúdio: tanto na percussão quanto nas cordas. ‘Vícios’ é de um rock marcante, entusiasmado, dançante e impecável. Apesar da nossa região ter as mais diversas expressões, o Saltines faz um som caracteristicamente valerapaibano. E é uma tradição e tanto.

The Future Freaks Me Out – Zero to Hero (Taubaté)

Com um toque tão grande de nostalgia, o Zero to Hero não consegue, nem um pouco, ser repetitivo. Representando uma geração tão pouco impressionável e exigente, a banda consegue ser sincera o bastante (mesmo nos versões em inglês) para falar de escapismo sem parecer vazio e sem razão. ‘The Future Freaks Me Out’ é uma história todos nós.

Bailemos Juntos – Filhos do Mundo (São José dos Campos)

Se ainda não ficou claro, caipira sim, sabe dançar. Como não só de viola vive o valeparaibano, o Filhos do Mundo traz um percussão marcante, além de uma maravilhosa adição de saxofone. Uma surpresa boa e que enriquece tanto o instrumental da banda que deixa os ouvidos (e os pés contentes). Um convite como ‘Bailemos Juntos’ é irrecusável.

A Profecia – Meire D’ Origem (São José dos Campos)

Um manifesto de empoderamento e sororidade, que conta a luta pessoal da Meire, ‘A Profecia’ é um hino da cena valeparaibana do rap. A poesia das minas é tão vibrante que é impossível discordar: o jogo virou, a profecia é essa: Meire pode ser, será e é uma das grandes do Hip Hop.

chcl – Coração Cheio (São José dos Campos / Caçapava)

Visceral, rasgado, escancarado, o chcl consegue se impor com ‘Coração Cheio’ em um refrão que é um chute no peito. De tanta resistência, o chcl é convite à revolução (interna, externa, grande ou pequena). E pra mim falar com essas caras pela primeira vez provocou isso, uma explosão de inspiração e força. Nada mais justo do que usar esse espaço para agradecer a banda que agora dá uma pausa (que esperamos que não seja longa!).

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